O Diário da Motocicleta




(The Motorcycle Diaries)
Argentina/EUA/Inglaterra/Brasil. 2004. De Walter Salles. Com Gael García Bernal e Rodrigo de la Serna.

Ernesto Che Guevara, o cadáver mais belo do nosso século, disse Paulo Francis. Acho que foi o Paulo Francis.

Diários de Motocicleta foi oferecido ao cineasta por Robert Redford, que bancou o projeto. Chorei à beça. Na verdade, da metade para o fim fica mais legal. O único problema é que é longo demais, poderia ter meia hora a menos. E o final Salgadiano é meio óbvio, e totalmente dispensável. É bacana ver Ernesto Guevara de um ângulo que não estávamos acostumados, diferente da imagem eternizada pela foto de Alberto Korda, onde ele aparece de boina, barba e um olhar para o futuro, que afinal foi tão breve. É estranho e triste ver que o idealismo de um jovem tenha se misturado a um amontoado de ícones consumíveis, como o M da lanchonete, as orelhas do Mickey, e o símbolo da Coca-Cola. Você sabia que existe até Che Guevara de pelúcia?

"Um filme sobre a busca do lugar que queremos ter no mundo. E pelo qual vale à pena lutar." Walter Salles

O filme narra as aventuras de dois amigos em uma viagem pela América Latina. Montados numa Norton 500 (foram usadas cinco motos) caindo aos pedaços, chamada carinhosamente de La Poderosa. Claro que a motocicleta acaba enguiçando no meio do caminho, obrigando Ernesto (Gael) e Alberto (la Serna) a continuar o trajeto a pé ou de carona. Na época, Guevara tinha 24 anos, era um asmático estudante de medicina e o objetivo da viagem era comemorar o aniversário do primo e amigo Alberto Granado, um bioquímico. O contato com as pessoas desprivilegiadas com quem acaba esbarrando vai transformando aos poucos o rapaz, que leva um choque ao se deparar com uma realidade que não conhecia de perto.

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A pessoa que tomou estas notas morreu no dia em que pisou novamente o solo argentino. A pessoa que está reorganizando e polindo as mesmas notas, eu, não sou mais eu, pelo menos não sou o mesmo que era antes. Esse vagar sem rumo pelos caminhos da nossa Maiúscula América me transformou mais do que me dei conta.

(Introdução do livro De moto pela América do Sul - Diário de viagem de Ernesto Che Guevara)

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3 comentários:

Monix disse...

E Personal Che (o documentário)? Você viu? Nossa.

BethS disse...

Falando em Guevara como ícone consumivel, você já viu Personal Che? muito interessante, mostra como o Che ainda vive depois de morto, na interpretação de várias pessoas diferentes ao redor do mundo. Tá em cartaz no Rio em alguns cinemas Estação. Eu gostei muito.

Cármen Neves disse...

Olá! Como vai? Tenho um amigo, o escritor Roberto Rossi Jung, que escreveu três livros sobre a vida Che Guevara.Um deles tem como título " As mulheres de Che Guevara".
Ele me contou, durante a XII Feira do Livro de Gramado RS - 2008, que encontraram entre os pertences dele, no dia de sua morte, um livro de Pablo Neruda.Fiquei emocionada! Um beijo.