Os incompreendidos




Os incompreendidos (Les Quatre Cents Coups)
França, 1959. De François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud, Patrick Aufffay, Claire Maurier, Albert Rémy e Guy Lacombe. Prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes.

Primeiro longa-metragem do cineasta, que tinha 27 anos. O filme é dedicado a André Bazin, crítico de cinema que Truffaut considerava seu pai, e que morreu no primeiro dia de filmagem. Foi Bazin quem retirou Truffaut adolescente do reformatório e o convidou para ser redator dos Cahiers du Cinéma.

Explicitamente autobiográfico, mostra a vida de um menino ignorado pelos pais, rebelde, e com uma série de problemas na escola. Um dos mais emocionantes finais do cinema.


Procura-se menino de 12 a 14 anos para interpretar um papel num filme.

O diretor colocou um anúncio no France-Soir e entrevistou centenas de garotos para o papel, mas o escolhido acabou sendo indicado por um amigo. Jean-Pierre Léaud, filho de um roteirista e uma atriz, era tudo o que Truffaut esperava. Aluno problemático, violento e transgressor, Léaud tinha todas as características de Truffaut quando menino e a empatia entre os dois foi imediata. Seu personagem Antoine Doinel seria por várias vezes o alter ego do diretor, participando de outros filmes, como Antoine e Colette, O Amor aos Vinte Anos, Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga.


Problemas em casa



Com o lançamento de Os Incompreendidos, a infância de Truffaut, que parecia caso encerrado, cai como uma bomba sobre seu pai adotivo, que escreve ao filho uma carta agressiva e coloca dentro do envelope uma foto do cineasta com a legenda "Retrato de um autêntico crápula". Truffaut foi menos agressivo na resposta, mas não deixou de dizer que poderia ser muito pior se ele realmente mostrasse na tela todas as privações que passou, a falta de amor e cuidado, a humilhação de ser o único aluno a não levar merenda para a escola, os pontapés recebidos da mãe. A revolta que o envolveu e fez dele uma criança mentirosa e ladra.

Aparentemente deixando a mágoa de lado, Truffaut declara à imprensa que o filme não é autobiográfico e que na verdade seus pais sempre foram maravilhosos.


*pontas de luxo* Jeanne Moreau. O diretor aparece numa ponta, fumando um cigarro.

Os Incompreendidos é uma obra-prima, tranqüilamente um dos meus 3 filmes prediletos.

"Para fazer Amélie Poulin Pensei em Os Incompreendidos. Você pode ver a referência neste filme, porque a mesma atriz que faz a mãe de Jean-Pierre Léaud em Os Incompreendidos, Claire Maurier, é a dona do café. E tem um monte de pombos. Tem uma cena incrível com pombos em Os Incompreendidos, quando os dois garotos correm pela rua, e fiz isso neste filme." - Entrevista de Jean Pierre Jeunet ao site IndieWIRE.

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4 comentários:

Diz disse...

Este blog eh mto chic. Afoto do P Newman acima está arrasando.
Bjs Laura

Jussara disse...

Nossa, fiquei com muita vontade de ver esse filme!

marina w. disse...

O filme é lindo, Jussara. Na época me impressionou demais. Vendo a cena final no YouTube pensei como as cenas eram longas.

E o trailler de Klute (que coloquei semana passada junto ao post sobre o filme) é estranho, pra gente que acostumou com traillers-flashs que existem agora. Não que eu preferia o de Klute, mas a diferença de estilo é brutal. O trailler parece que já é o filme. Nossa que confuso este comentário :P

Beijo, adoro o livrinho :)

marina w. disse...

Nem está mais lá. Também gosto muito desse agora, por causa do azul. Beijo.