Julia





Julia (Julia)
EUA,1977. De Fred Zinnemann. Com Jane Fonda, Vanessa Redgrave e Jason Roberts.

Quem resiste? Eu gosto de filmes sobre amizade. Neste, a escritora Lillian Hellman precisa arriscar a vida para entregar um pacote de dinheiro a sua amiga Julia, que está em Berlim lutando contra os nazistas.

Lillian que era amiga de verdade. Ou não? Diz a lenda que a escritora viajava em seus livros autobiográficos, e que Julia nunca existiu. Isto não tira o mérito do filme e de Pentimento, o livro que serviu de base para o roteiro. Sydney Pollack ia dirigi-lo, mas já estava envolvido com uma outra filmagem. Zinnemann ficou seis meses escolhendo o elenco e as locações. A demora valeu a pena: Jane Fonda e Vanessa Redgrave são a alma do filme. De lambuja, é a estréia de Meryl Streep no cinema.

Vanessa Radical


Assim que terminou de ler Pentimento, Jane Fonda correu atrás para conseguir o papel de Lillian Hellman, e quando assinou o contrato fez um lobby para que Vanessa Redgrave, a atriz mais conceituada e politizada da época, interpretasse Julia. Durante as filmagens, Vanessa distribuía manifestos e panfletos, obcecada pelo movimento de libertação da Palestina. Foi aí que Jane Fonda, enjoada dos discursos radicais da amiga, resolveu reavaliar seus posicionamentos políticos. Vanessa ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante e seu discurso atacando a posição israelense em relação ao Líbano entrou para a história da Academia.

*Extra* O nome da filha de Jane Fonda, Vanessa Vadim, foi uma homenagem à atriz.

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Quanto mais quente melhor




Quanto mais quente melhor (Some Like It Hot)
EUA. 1954 . De Billy Wilder. Com Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon.

Em Chicago, 1929, dois músicos desempregados (Jack lemmon e Tony Curtis)testemunham um massacre comandado por gângsteres e resolvem puxar o carro. Quando ficam sabendo que uma orquestra de garotas está prestes a viajar para Miami, eles se vestem de mulher e resolvem acompanhá-las.

Marilyn Monroe é Sugar (existe um nome mais apropriado pra ela?)e Tony Curtis fica louco por ela. Por causa disso, ele acaba desempenhando dois papéis, sua companheira de viagem e um milionário tímido e sexualmente frio - um desafio para a quentíssima Marilyn. A atriz quase pirou Billy Wilder, bateu o pé porque queria que o filme fosse colorido e vivia faltando ao trabalho. A equipe a tratava com muito cuidado e atenção para que ela não abandonasse de vez as filmagens.

A cena em que a Marilyn deveria perguntar "Onde está o Bourbon?" foi refilmada dezenas de vezes porque a atriz não conseguia decorar sua fala. O diretor espalhou deixas por todo o estúdio, nas portas e paredes, o que Marilyn considerou uma ofensa. Foi gasto um dia e meio até que ela acertasse. Ninguém é perfeito.

Foram necessárias quarenta e tantas tomadas para que a cena em que a personagem diz "It's me, Sugar" ficasse boa. Ela dizia "Sugar, it's me" ou "I1's Sugar, me". Pobre Marilyn.

Tony e Jack precisaram aprender a se comportar como mulheres, se equilibrando em saltos 7 e, depois de muitas tentativas com o figurino - que exigiram que fosse feito pela mesma figurinista de Marilyn -, foram aprovados no teste do banheiro das mulheres, onde passaram despercebidos.

Wilder pensou em Frank Sinatra para fazer dupla com Tony Curtis. Marilyn ficou grávida durante as filmagens, mas não pode ter o bebê.

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Cenas improvisadas


You Talkin' me?

No script estava escrito apenas "Travis Bickle se olha no espelho."

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Al Pacino


o cinema e a dança 3



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Bruce Willis


Os galãs cantam e dançam aos domingos



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"Marilyn Monroe parodiava a feminilidade. Eu detestaria pensar que meu charme se baseasse no que considero uma anomalia. Acho que a obsessão com o sexo e com o tamanho dos seios das garotas é perversão." Jane Fonda, 1967

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O pecado mora ao lado




O pecado mora ao lado (The Seven Year Itch)
EUA, 1955. De Billy Wilder. Com Marilyn Monroe e Tom Ewell.

Oh, você pode sentir a brisa que vem do metrô? Não é delicioso? - Garota


O editor de livros Richard Sherman(Ewell), fica sozinho em Nova York quando sua mulher e seu filho saem de férias para fugir do calor da cidade. Quando vê sua nova vizinha (Monroe), ele tenta conquistá-la.

Como sempre, o roteiro do filme foi muito prejudicado pela censura. Adultério, nem pensar: os censores achavam inconcebível um marido trair a mulher, mesmo com uma tentação chamada Marilyn. Wilder então precisou se conformar com as fantasias e a vontade - regada de muita culpa, claro - de Richard, de levar a Garota para a cama. Mas a criatividade do cineasta acabou burlando as regras e a empregada encontra um grampo de cabelo na cama do seu patrão, fazendo com que o espectador possa tirar suas próprias conclusões.

Uma das cenas que simbolizam o cinema de Hollywood - Marilyn Monroe com vestido branco suspenso pelo vento que sai pelas grades do metrô - foi filmada na Lexington Avenue, em Manhattan, e assistida por milhares de pessoas. Foram necessárias dezenas de tomadas, por causa do barulho da rua. Wilder pedia silêncio, mas não adiantava. Os curiosos só obedeceram quando MM colocou o dedo indicador diante dos lábios.

Por motivos técnicos, a cena acabou sendo refilmada na 20th Century Fox, em Hollywood, com a atriz usando duas calcinhas para evitar transparência, por causa da luz forte do estúdio.

Marilyn, 29 anos, estressava Billy Wilder com seus atrasos, o excesso de remédios, a incapacidade de decorar suas falas e sua vida pessoal conturbadíssima. Estava casada com o jogador de beisebol DiMaggio e acabou se separando durante as filmagens. Ciumentíssimo, a famosa cena do metrô foi a gota d'água.


O diretor queria James Stewart, Gary Cooper ou William Holden para o papel principal. Também gostou muito do teste do desconhecido Walter Matthau. Mas a Fox bateu o martelo e exigiu que Tom Ewell fosse o par da atriz. O ator acabou embolsando o Globo de Ouro de melhor ator.


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"Marilyn achava que sua aparência dava-lhe direito a privilégios especiais. Era verdade, mas isso não funcionava comigo porque eu olhava para ela não como um homem, mas como seu diretor. Bem, na maioria das vezes. De qualquer maneira, ela não fazia o meu tipo. Ela era mais provocadora do que provocante. Para mim, pessoalmente, Audrey Hepburn era a personificação de tudo o que é perfeito numa mulher. E era pontual. - Billy Wilder (de "Ninguém é perfeito", biografia do diretor escrita por Charlotte Chandler)

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"Na cena em que Marilyn aparece descendo a escada de camisola, pensei que ela estivesse vestindo também um sutiã. 'Ninguém usa sutiã debaixo de uma camisola', disse à ela.'As pessoas verão seus peitos apenas porque você os reaça usando o sutiã.''Que sutiã?',perguntou ela, tomando minha mão e pousando¬a sobre seu peito. Ela não estava usando nada. Seus seios eram um milagre de forma, firmeza e notória resistência à gravidade." - idem.



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Os incompreendidos




Os incompreendidos (Les Quatre Cents Coups)
França, 1959. De François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud, Patrick Aufffay, Claire Maurier, Albert Rémy e Guy Lacombe. Prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes.

Primeiro longa-metragem do cineasta, que tinha 27 anos. O filme é dedicado a André Bazin, crítico de cinema que Truffaut considerava seu pai, e que morreu no primeiro dia de filmagem. Foi Bazin quem retirou Truffaut adolescente do reformatório e o convidou para ser redator dos Cahiers du Cinéma.

Explicitamente autobiográfico, mostra a vida de um menino ignorado pelos pais, rebelde, e com uma série de problemas na escola. Um dos mais emocionantes finais do cinema.


Procura-se menino de 12 a 14 anos para interpretar um papel num filme.

O diretor colocou um anúncio no France-Soir e entrevistou centenas de garotos para o papel, mas o escolhido acabou sendo indicado por um amigo. Jean-Pierre Léaud, filho de um roteirista e uma atriz, era tudo o que Truffaut esperava. Aluno problemático, violento e transgressor, Léaud tinha todas as características de Truffaut quando menino e a empatia entre os dois foi imediata. Seu personagem Antoine Doinel seria por várias vezes o alter ego do diretor, participando de outros filmes, como Antoine e Colette, O Amor aos Vinte Anos, Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga.


Problemas em casa



Com o lançamento de Os Incompreendidos, a infância de Truffaut, que parecia caso encerrado, cai como uma bomba sobre seu pai adotivo, que escreve ao filho uma carta agressiva e coloca dentro do envelope uma foto do cineasta com a legenda "Retrato de um autêntico crápula". Truffaut foi menos agressivo na resposta, mas não deixou de dizer que poderia ser muito pior se ele realmente mostrasse na tela todas as privações que passou, a falta de amor e cuidado, a humilhação de ser o único aluno a não levar merenda para a escola, os pontapés recebidos da mãe. A revolta que o envolveu e fez dele uma criança mentirosa e ladra.

Aparentemente deixando a mágoa de lado, Truffaut declara à imprensa que o filme não é autobiográfico e que na verdade seus pais sempre foram maravilhosos.


*pontas de luxo* Jeanne Moreau. O diretor aparece numa ponta, fumando um cigarro.

Os Incompreendidos é uma obra-prima, tranqüilamente um dos meus 3 filmes prediletos.

"Para fazer Amélie Poulin Pensei em Os Incompreendidos. Você pode ver a referência neste filme, porque a mesma atriz que faz a mãe de Jean-Pierre Léaud em Os Incompreendidos, Claire Maurier, é a dona do café. E tem um monte de pombos. Tem uma cena incrível com pombos em Os Incompreendidos, quando os dois garotos correm pela rua, e fiz isso neste filme." - Entrevista de Jean Pierre Jeunet ao site IndieWIRE.

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A bela da tarde



A Bela da Tarde (Belle du jour)
França, 1967. De Luis Buñuel. Roteiro de Luis Buñuel e Jean-Claude Carrière, baseado em livro de Joseph Kossel. Com Catherine Deneuve, Pierre Clémenti, Jean Sorel, Michel Piccoli e Geniève Page.
Leão de Ouro em Veneza.


Catherine Deneuve é Séverine, uma mulher rica e bem-casada que não se relaciona sexualmente com o marido (Sorel), preferindo passar suas tardes num bordei realizando todo tipo de fantasia, até que um marginal de dentes de aço (Clémenti) acaba ficando obcecado por ela.

A combinação da beleza glacial de Catherine Deneuve, vestida por Yves Saint Laurent -seu estilista predileto - com os desejos e perversões da sua personagem é uma mistura sensacional. Tudo não passa de uma fantasia de Séverine? Tique-taques de relógio, zumbidos, barulho de água da chuva, caixinha de música, sininhos e folhas esmagadas por carruagens imprimem ao filme a idéia de sonho. Na época de seu lançamento, cenas foram cortadas, como a de um cliente que pede que ela o chame de pai. Em um momento importante do filme, um chinês mostra o conteúdo de uma caixinha para Séverine que a deixa admirada. O que afinal havia naquela caixa? No seu livro de memórias, Buñuel disse que não sabia. A Bela da Tarde foi relançado na França em 1996, graças a Martin Scorsese, que se encarregou de restaurá-lo e resgatar as cenas censuradas.

*pontas de luxo* Jean-Claude Carrière, co-roteirista do filme, no papel de um padre. Luis Buñuel aparece sentado num café numa mesa próxima à de Deneuve.

Filmaço.

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Segredos de beleza de Catherine Deneuve

Rímel Longcils Boncza
Pincéis e esponjas Shu Uemura
Pente e escova La Saponifire
Sabonete Magno
PÓ facial e pó compacto Yves Saint Laurent
Batom Shiseido
Escova Mason and Pearson
Lenços para toilette Beauté Divine
Óleo tônico para o corpo Clarins
Cremes para cuidar da pele: Clarins, Shiseido, Françoise Morice e Joëlle Scotto
Khôl (um tipo de lápis para maquilar os olhos) Lancôme
Pó bronzeador Fleur de Teint de Clarins

Para os cuidados do rosto, ela adora, indistintamente:
Lift Sérum YSL (um tipo de soro rejuvenescedor); a linha Clé de Peau; os demaquilantes e os adesivos para os olhos Françoise Morice; Age Perfect de Plénitude; Creme Huit Heures, de Elizabeth Arden.

(Do site Tout sur Deneuve)